Soneto de vida interior
Senhor, põe-me, outra vez, à Tua frente
E faze-me encontrar o Teu caminho.
Perdido fui e sou, se de repente
Somente a mim me entregas e sozinho.
Quantas vezes me sinto diferente
E volto a ser, no tempo, descaminho!
Quantas vezes Te fito e sou descrente
E, no espaço, me faço agreste espinho!
Senhor, mostra-me sempre o Teu amor,
Qual tesouro enterrado num terreno,
Valendo mais que todos, pois que é vida.
E faze-me Teu filho no que for
A vivência daquele tom sereno,
Que me leva à chegada da partida.
Ives Gandra
Seja bem-vindo. Hoje é
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Querer-te
Querer-te
Não consigo este vício abandonar
Que me faz, pelo tempo, sempre igual,
Como igual corre a noite sobre o mar
E deixa o mar na praia seu sinal.
O vício me ensinou a naufragar,
Num naufrágio romântico e informal,
Que não traz o sossego por seu par
E não chega, no todo, a ser um mal.
É, contudo, perpétuo como o sal,
Silente como o puro comungar
E triste como o amor sem ter aval.
É o vício de querer-te, devagar,
De mansinho, de fato e de enxoval,
De minha prole mãe, em santo altar.
Ives Gandra
Não consigo este vício abandonar
Que me faz, pelo tempo, sempre igual,
Como igual corre a noite sobre o mar
E deixa o mar na praia seu sinal.
O vício me ensinou a naufragar,
Num naufrágio romântico e informal,
Que não traz o sossego por seu par
E não chega, no todo, a ser um mal.
É, contudo, perpétuo como o sal,
Silente como o puro comungar
E triste como o amor sem ter aval.
É o vício de querer-te, devagar,
De mansinho, de fato e de enxoval,
De minha prole mãe, em santo altar.
Ives Gandra
Pelo caminho de teus olhos
Pelo caminho de teus olhos
O recesso intocável de tua alma
Invadi, repentina e mudamente,
Através de momento, cuja palma
Cruzou pelos teus olhos, diferente.
A profundez longínqua foi semente
Do sucesso, que trouxe após a calma,
E a conquista desfeita, docemente,
Conquistou o senhor, que hoje te ensalma
Do assalto não mais resta que o caminho,
Onde, silente, entrei, despercebido,
Cuidando retirar—me, por inteiro.
Perdi-me, todavia, e não sozinho
Retornei, muito estranho e sem sentido,
De teu recesso eterno prisioneiro.
Ives Gandra
Orfeu
Orfeu
Nenhuma estrela havia, em seu olhar.
Um silêncio noturno mal rondava
O muro esmuguecido do pomar,
Cujo fruto sua alma alimentava.
À noite era, porém, linda e presente,
Coberta a lua por escura fronha,
Era a noite do tempo inexistente,
A noite, que consola o mal, que sonha.
Mesmo assim cobrava-se de morte.
Um olhar negro é duplo e, se empoçado
Em funda sensação, encerra a sorte
De um outro olhar no olhar cio próprio fado.
Nenhuma estrela havia. Havia Orfeu,
Lembrando-se da amada que morreu.
Ives Gandra
Nenhuma estrela havia, em seu olhar.
Um silêncio noturno mal rondava
O muro esmuguecido do pomar,
Cujo fruto sua alma alimentava.
À noite era, porém, linda e presente,
Coberta a lua por escura fronha,
Era a noite do tempo inexistente,
A noite, que consola o mal, que sonha.
Mesmo assim cobrava-se de morte.
Um olhar negro é duplo e, se empoçado
Em funda sensação, encerra a sorte
De um outro olhar no olhar cio próprio fado.
Nenhuma estrela havia. Havia Orfeu,
Lembrando-se da amada que morreu.
Ives Gandra
Olhar de infância
Olhar de infância
Penetrei pela enorme profundeza
Deste mar colorido de teus olhos
Triste azul. Melancólica tristeza.
Penedo transformado sem escolhos.
Penetrei. Nadador por ter andado.
Suicida solitário. O mar azul
Logo cobriu-me num estranho fado
Quem em vez do Norte, descobriu o Sul.
Azul dentro do azul. A maresia
Marítimos escombros desvendava
E os sonhos que eu fazia, desfazia,
Desfazendo um abismo à idéia escrava.
Afoguei-me no fundo da distância
De um olhar, que busquei por minha infância.
Ives Gandra
Penetrei pela enorme profundeza
Deste mar colorido de teus olhos
Triste azul. Melancólica tristeza.
Penedo transformado sem escolhos.
Penetrei. Nadador por ter andado.
Suicida solitário. O mar azul
Logo cobriu-me num estranho fado
Quem em vez do Norte, descobriu o Sul.
Azul dentro do azul. A maresia
Marítimos escombros desvendava
E os sonhos que eu fazia, desfazia,
Desfazendo um abismo à idéia escrava.
Afoguei-me no fundo da distância
De um olhar, que busquei por minha infância.
Ives Gandra
O temporal do tempo
O temporal do tempo
O temporal do tempo temperado,
Descortinando sonho e maresia,
Faz-se espaço do espaço despassado,
Que a tela do horizonte mal desfia.
O olhar, que não penetro, desafia
Meu soneto de amor descompassado.
Certeza tão incerta cada dia,
No mundo que descubro de meu lado.
Não sei do que saber e para que,
Nem sei se você sabe o que já sei
Eu sei o que se sabe e o que se
Pelo caminho simples de tal lei.
E não me importa, pois quero você,
Vocação de palhaço e não de rei.
Ives Gandra
O temporal do tempo temperado,
Descortinando sonho e maresia,
Faz-se espaço do espaço despassado,
Que a tela do horizonte mal desfia.
O olhar, que não penetro, desafia
Meu soneto de amor descompassado.
Certeza tão incerta cada dia,
No mundo que descubro de meu lado.
Não sei do que saber e para que,
Nem sei se você sabe o que já sei
Eu sei o que se sabe e o que se
Pelo caminho simples de tal lei.
E não me importa, pois quero você,
Vocação de palhaço e não de rei.
Ives Gandra
O soneto mais estramho
O soneto mais estramho
Silêncio o soneto mais estranho.
Nem meu. Nem de ninguém. Por quê? Não sei
O olhar foi talvez verde ou foi castanho,
Bem antes do silêncio em que parei.
Há remos esperando por seu rei
E banhistas que buscam no seu banho
Equacionar o tempo com a lei.
O silêncio do espaço, que eu arranho.
Onde arranho, onde luto e silencio,
Vive o soneto mais estranho assim.
O sol onde ele nasce é sol de estio,
Que não conhece o aroma do jardin.
E desta história lá eu perco o fio,
Pois lá começa a história de meu fim.
Ives Gandra
Silêncio o soneto mais estranho.
Nem meu. Nem de ninguém. Por quê? Não sei
O olhar foi talvez verde ou foi castanho,
Bem antes do silêncio em que parei.
Há remos esperando por seu rei
E banhistas que buscam no seu banho
Equacionar o tempo com a lei.
O silêncio do espaço, que eu arranho.
Onde arranho, onde luto e silencio,
Vive o soneto mais estranho assim.
O sol onde ele nasce é sol de estio,
Que não conhece o aroma do jardin.
E desta história lá eu perco o fio,
Pois lá começa a história de meu fim.
Ives Gandra
O sentido da vida
O sentido da vida
O sentido da vida, por inteiro,
Só desvendo no seu sonho de vida
Que transforma a semente no celeiro,
Alimento da terra mal ferida.
A santidade é o toque derradeiro
Descortinando o ponto de partida,
Cujo encontro se faz, quando o sendeiro,
Na chegada descobre o fim da lida.
Quão difícil, porém, se sou quem trilho
Esta estrada de Deus feita p’ra mim,
Pois qu’outras menos belas já trilhei.
Quão difícil! Contudo, sou Seu filho,
E tê-la quero dentro do jardim,
Onde O encontro, paterno, como Rei.
Ives Gandra
O sentido da vida, por inteiro,
Só desvendo no seu sonho de vida
Que transforma a semente no celeiro,
Alimento da terra mal ferida.
A santidade é o toque derradeiro
Descortinando o ponto de partida,
Cujo encontro se faz, quando o sendeiro,
Na chegada descobre o fim da lida.
Quão difícil, porém, se sou quem trilho
Esta estrada de Deus feita p’ra mim,
Pois qu’outras menos belas já trilhei.
Quão difícil! Contudo, sou Seu filho,
E tê-la quero dentro do jardim,
Onde O encontro, paterno, como Rei.
Ives Gandra
O naufrágio
O naufrágio
O naufrágio roubou-me o barco triste,
Silentemente, como rouba a vida.
O meu naufrágio é um mal, que mal existe,
Pois que, no fim, começa outra partida.
Anteriormente vira esta ferida,
Ferida, meu amor, que nunca viste.
Continuei capitão, que inda resiste,
Porém, sem ter sentido tal descida.
O naufrágio, portanto, foi normal.
O barco triste soçobrou por frágil,
Nas águas calmas, desfazendo em sal.
Depois, o mar voltou a ser caminho
De um outro menos triste e bem mais ágil
E o barco triste o mar deixou sozinho.
Ives Gandrai
O naufrágio roubou-me o barco triste,
Silentemente, como rouba a vida.
O meu naufrágio é um mal, que mal existe,
Pois que, no fim, começa outra partida.
Anteriormente vira esta ferida,
Ferida, meu amor, que nunca viste.
Continuei capitão, que inda resiste,
Porém, sem ter sentido tal descida.
O naufrágio, portanto, foi normal.
O barco triste soçobrou por frágil,
Nas águas calmas, desfazendo em sal.
Depois, o mar voltou a ser caminho
De um outro menos triste e bem mais ágil
E o barco triste o mar deixou sozinho.
Ives Gandrai
O encanto da presença
O encanto da presença
O soneto do amor, que não tem fim,
Eu refaço, silente, uma vez mais.
Há cores florestais no meu jardim,
No meu jardim... sem cores florestais.
A imensidão das sombras noturnais
De novo ganham vida, atrás de mim,
Navio que navega junto ao cais
Ou corcel livre e preso no selim.
O soneto do amor, de um grande amor,
Que a própria vastidão não é tamanha,
Infinita a visão de sua crença.
Continue assim sendo o seu calor
E traga, dessa forma sempre estranha,
À minha vida o encanto da presença.
Ives Gandra
O soneto do amor, que não tem fim,
Eu refaço, silente, uma vez mais.
Há cores florestais no meu jardim,
No meu jardim... sem cores florestais.
A imensidão das sombras noturnais
De novo ganham vida, atrás de mim,
Navio que navega junto ao cais
Ou corcel livre e preso no selim.
O soneto do amor, de um grande amor,
Que a própria vastidão não é tamanha,
Infinita a visão de sua crença.
Continue assim sendo o seu calor
E traga, dessa forma sempre estranha,
À minha vida o encanto da presença.
Ives Gandra
Espaço azul
Espaço azul
Teu derradeiro olhar foi desencanto.
Há muito que eu não sofro, calmamente,
O momento final tão sem espanto.
O meu hábito de última semente.
Quantas messes perdi na minha frente?
Não sei. Nem sei quem sabe este meu canto.
Corre o tempo num tempo diferente
E o fim sempre me resta em acalanto.
Teu derradeiro olhar, nem tu soubeste
Quão derradeiro foi! Fim de Istambul
E fim que leva o fim como um “Far West”.
Eu deixo, uma vez mais, o Norte e o Sul.
Minha roupagem, hoje, se reveste
De novo encanto, por espaço azul.
Ives Gandra
Teu derradeiro olhar foi desencanto.
Há muito que eu não sofro, calmamente,
O momento final tão sem espanto.
O meu hábito de última semente.
Quantas messes perdi na minha frente?
Não sei. Nem sei quem sabe este meu canto.
Corre o tempo num tempo diferente
E o fim sempre me resta em acalanto.
Teu derradeiro olhar, nem tu soubeste
Quão derradeiro foi! Fim de Istambul
E fim que leva o fim como um “Far West”.
Eu deixo, uma vez mais, o Norte e o Sul.
Minha roupagem, hoje, se reveste
De novo encanto, por espaço azul.
Ives Gandra
Esboço
Esboço
Feneceram as rosas pelo azul.
O verde naufragou em plena idéia
E perdeu o comando para o Sul.
Soçobraram lembranças de odisséias.
A bordo do naufrágio estava o mar.
Debalde. A sonda cinza não mais era.
Restava o simbolismo cor de ambar
De um Outono medido em primavera.
Mimosas... depois foram sobre o espaço
Colorações de seda em sombra rubra.
Da funda emanação ficava um passo,
Que o negro faz que o branco sempre cubra.
Eis o esboço de um simples quadro estranho,
Onde pascem meus versos sem rebanho.
Ives Gandra
Feneceram as rosas pelo azul.
O verde naufragou em plena idéia
E perdeu o comando para o Sul.
Soçobraram lembranças de odisséias.
A bordo do naufrágio estava o mar.
Debalde. A sonda cinza não mais era.
Restava o simbolismo cor de ambar
De um Outono medido em primavera.
Mimosas... depois foram sobre o espaço
Colorações de seda em sombra rubra.
Da funda emanação ficava um passo,
Que o negro faz que o branco sempre cubra.
Eis o esboço de um simples quadro estranho,
Onde pascem meus versos sem rebanho.
Ives Gandra
É noite
É noite
É noite. À minha amada este soneto
Componho sem momentos de cansaço,
Quando o tempo dos versos faz-se escasso
Como bandas de música em coreto.
O costume da frase teve danos,
Igual folha varrida em tempestade.
Restou-me apenas, nua, esta verdade
Que me segue, silente, pelos anos.
Quero-te muito, mãe de meus seis filhos,
Mulher de meu amor, sem convenção.
Condu assim sempre o coração
Como um trem conduzido por seus trilhos...
É noite. À minha amada, em próprio punho,
Componho este soneto, sem rascunho.
Ives Gandra
É noite. À minha amada este soneto
Componho sem momentos de cansaço,
Quando o tempo dos versos faz-se escasso
Como bandas de música em coreto.
O costume da frase teve danos,
Igual folha varrida em tempestade.
Restou-me apenas, nua, esta verdade
Que me segue, silente, pelos anos.
Quero-te muito, mãe de meus seis filhos,
Mulher de meu amor, sem convenção.
Condu assim sempre o coração
Como um trem conduzido por seus trilhos...
É noite. À minha amada, em próprio punho,
Componho este soneto, sem rascunho.
Ives Gandra
Cromo
Cromo
Estilhaços do meu canto
Ferindo o pastor do espaço.
Granadas por acalanto,
Na palavra do teu passo.
O teu amor em mormaço.
O meu amor sem espanto.
No azul o silêncio caço,
Metralhando o desencanto.
Abatido cai no sal.
A paz retorna, no céu,
À calma do após a guerra.
Volta o tempo a ser igual
E o amor por sidéreo véu
É coberto sobre a terra.
Ives Gandra
Estilhaços do meu canto
Ferindo o pastor do espaço.
Granadas por acalanto,
Na palavra do teu passo.
O teu amor em mormaço.
O meu amor sem espanto.
No azul o silêncio caço,
Metralhando o desencanto.
Abatido cai no sal.
A paz retorna, no céu,
À calma do após a guerra.
Volta o tempo a ser igual
E o amor por sidéreo véu
É coberto sobre a terra.
Ives Gandra
Claras águas
Claras águas
Pelo silêncio de teus olhos mortos,
Vivos, no espaço, apenas, das idéias,
Surge uma ponte com aranha e teias,
Unindo as pedras dos caminhos tortos.
Trilhei a ponte. De madeira velha,
Encobre anseios, que correm debaixo,
E o escuro lí em que assim se espelha,
A forma tem de retilíneo facho.
Da margem sempre ríspidos escolhos
Tombam turvando a fonte já turvada,
As lágrimas, talvez, que de teus olhos
Vêm de uma estrada em busca d’outra estrada.
Dizer que, um dia, aquelas claras águas
Limparam de nós dois todas as mágoas..
Ives Gandra
Pelo silêncio de teus olhos mortos,
Vivos, no espaço, apenas, das idéias,
Surge uma ponte com aranha e teias,
Unindo as pedras dos caminhos tortos.
Trilhei a ponte. De madeira velha,
Encobre anseios, que correm debaixo,
E o escuro lí em que assim se espelha,
A forma tem de retilíneo facho.
Da margem sempre ríspidos escolhos
Tombam turvando a fonte já turvada,
As lágrimas, talvez, que de teus olhos
Vêm de uma estrada em busca d’outra estrada.
Dizer que, um dia, aquelas claras águas
Limparam de nós dois todas as mágoas..
Ives Gandra
Areia do deserto
Areia do deserto
Era vermelha a areia do deserto
E assim mesmo buscou-a a carne-lodo
O caminho, em seguida, fez-se incerto
E o horizonte sumiu-se então de todo.
Cobriram-se os espaços siderais,
Choveram tempestades de caprichos
E o frio dos sentires hibernais
Despertou do letargo internos bichos.
A vida-barro, pútrida, parada
Perdeu a luz primeira das idéias
Escondido o binômio tudo-nada,
Semente solitária de odisséias.
Carne-lodo, partida a causa-sangue,
Restou, desvirginada, mas exangue.
Ives Gandra
Era vermelha a areia do deserto
E assim mesmo buscou-a a carne-lodo
O caminho, em seguida, fez-se incerto
E o horizonte sumiu-se então de todo.
Cobriram-se os espaços siderais,
Choveram tempestades de caprichos
E o frio dos sentires hibernais
Despertou do letargo internos bichos.
A vida-barro, pútrida, parada
Perdeu a luz primeira das idéias
Escondido o binômio tudo-nada,
Semente solitária de odisséias.
Carne-lodo, partida a causa-sangue,
Restou, desvirginada, mas exangue.
Ives Gandra
A busca do caminho
A busca do caminho
A confusão, Senhor, de mim afasta
Para que eu veja claro o que era escuro
E, qual papel inútil d’uma pasta,
Retira para unir-me ao meu futuro.
A pergunta que eu fiz já tem resposta.
Vale o encontro da própria vocação.
“Vem e segue-me” e segue-Te quem go
Da Verdade e da Luz, por dimensão.
A busca do caminho, quando existe,
É mansa, se ela é grande, se ela é forte,
E rica, quando pobre e nunca triste,
Fazendo eterna vida mesmo a morte.
Que eu seja, como fruto, uma semente
A gerar o Teu mundo diferente.
Ives Gandra
A confusão, Senhor, de mim afasta
Para que eu veja claro o que era escuro
E, qual papel inútil d’uma pasta,
Retira para unir-me ao meu futuro.
A pergunta que eu fiz já tem resposta.
Vale o encontro da própria vocação.
“Vem e segue-me” e segue-Te quem go
Da Verdade e da Luz, por dimensão.
A busca do caminho, quando existe,
É mansa, se ela é grande, se ela é forte,
E rica, quando pobre e nunca triste,
Fazendo eterna vida mesmo a morte.
Que eu seja, como fruto, uma semente
A gerar o Teu mundo diferente.
Ives Gandra
NAVEGAR
NAVEGAR
Eu navego entre mares e tormentas,
Sem marujos no barco que conduzo,
As ondas que no coração rebentas
De teus olhos desvendam tom difuso.
As cores coloridas e incolores
Desfraldam os painéis das caravelas,
E se algum dia destes lá tu fores
Colorirás com tintas minhas velas.
Navegar é preciso, eis a verdade.
Para mim fazer versos, eu preciso.
Nas folhas eu escrevo, sem vaidade,
Sem talento, sem voz, sempre indeciso.
Meu diário silente continua
E desvenda a verdade fria e nua.
SP., 14/03/2010.
Ives Gandra
Eu navego entre mares e tormentas,
Sem marujos no barco que conduzo,
As ondas que no coração rebentas
De teus olhos desvendam tom difuso.
As cores coloridas e incolores
Desfraldam os painéis das caravelas,
E se algum dia destes lá tu fores
Colorirás com tintas minhas velas.
Navegar é preciso, eis a verdade.
Para mim fazer versos, eu preciso.
Nas folhas eu escrevo, sem vaidade,
Sem talento, sem voz, sempre indeciso.
Meu diário silente continua
E desvenda a verdade fria e nua.
SP., 14/03/2010.
Ives Gandra
MEU INTERIOR
MEU INTERIOR
Eu percorro as planícies de meus sonhos
Onde os rios deságuam as esperanças,
Pois nos corações formam-se, tristonhos,
Nas saudades dos tempos de crianças.
Meu íntimo procuro numa escada
Que desço sempre mais sem ver o fundo,
Nesta busca infinita cuja espada,
Eu brando para fora deste mundo.
Meu universo interno é bem mais denso,
Bem mais forte, mais largo, mais aberto
Que o universo conhecido, é mais intenso
E para mim fica sempre a descoberto.
Os versos que eu componho todo o dia,
Embora fracos, geram-me alegria.
SP., 13/03/2010.
Ives Gandra
Eu percorro as planícies de meus sonhos
Onde os rios deságuam as esperanças,
Pois nos corações formam-se, tristonhos,
Nas saudades dos tempos de crianças.
Meu íntimo procuro numa escada
Que desço sempre mais sem ver o fundo,
Nesta busca infinita cuja espada,
Eu brando para fora deste mundo.
Meu universo interno é bem mais denso,
Bem mais forte, mais largo, mais aberto
Que o universo conhecido, é mais intenso
E para mim fica sempre a descoberto.
Os versos que eu componho todo o dia,
Embora fracos, geram-me alegria.
SP., 13/03/2010.
Ives Gandra
NOSSO LEMA
NOSSO LEMA
A serenata à noite faz-se escassa,
O noturno descobre as alvoradas.
Minh’alma de novo se entrelaça
Subindo deste amor pelas escadas.
A minha terna amada bem desperta,
A chama do querer qu’invade o peito,
A hora não se faz mais hora certa,
Nem abre o coração a meu despeito.
Os olhos são os mesmos desde então,
De lembranças tomados por inteiro,
Renova-se, no velho coração,
A vocação de eterno timoneiro.
Meus versos por você têm um só tema
Do pleno amor que sempre foi meu lema.
SP., 07/03/2010.
Ives Gandra
A serenata à noite faz-se escassa,
O noturno descobre as alvoradas.
Minh’alma de novo se entrelaça
Subindo deste amor pelas escadas.
A minha terna amada bem desperta,
A chama do querer qu’invade o peito,
A hora não se faz mais hora certa,
Nem abre o coração a meu despeito.
Os olhos são os mesmos desde então,
De lembranças tomados por inteiro,
Renova-se, no velho coração,
A vocação de eterno timoneiro.
Meus versos por você têm um só tema
Do pleno amor que sempre foi meu lema.
SP., 07/03/2010.
Ives Gandra
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