
Que importa à natureza o velho tema,
do ser e do não ser – o berço e a tumba?
Se alguém folgue ao prazer, se à dor sucumba,
se ria ou chore, se suspire ou gema?
Seio de mãe e estranhas de Saturno,
ela alimenta com intenso afeto,
tudo que produziu, e por seu turno,
devora avidamente o próprio feto.
O trágico problema em vão se agita
à velha geração sucede a nova,
e a cada novo ser que à luz palpita
tece-se um berço, rasga-se uma cova.
E o homem de um só dia peregrino,
de manhã, deixa o berço mal desperta;
e ao voltar pela noite, - atroz destino!
Acha o berço ocupado e a cova aberta.
Augusto de Lima
in Coletânea de Poesias
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